Sobre este vinho
O Rosso Piceno da Santa Stefano é aquele italiano que fica no meio-termo perfeito. Sabe quando você quer um tinto com corpo pra jantar, mas sem exagero, sem virar bomba de tanino que te faz esquecer da comida? É exatamente esse o papel dele — Itália central em estado puro, equilibrado, saboroso, feito pra durar a refeição inteira.
Vindo das Marche, uma das regiões vinícolas mais discretas e encantadoras da Itália (fica no meio da costa adriática, entre a Emília-Romanha e Abruzzo), é feito com o blend clássico do Rosso Piceno DOC: Montepulciano pra corpo, cor e fruta preta, e Sangiovese pra acidez, elegância e estrutura. A Santa Stefano é uma pequena vinícola de Serra dei Conti, que Roberto Serenelli tocou por décadas com dedicação artesanal. Na taça, aparece com um vermelho-rubi vivo, brilhante. No nariz, é o típico italiano de mesa: cereja madura, ameixa vermelha, um toque floral de violeta, ervas mediterrâneas (orégano, tomilho) e um leve fundo especiado. Na boca, corpo médio, taninos macios e polidos, acidez que sustenta (herança da Sangiovese), e um final agradável que convida ao próximo gole sem cansar. É vinho de gente que come — e come bem.
É o tipo de vinho que faz jantar de terça virar pequena viagem à Itália.
**Teor alcoólico:** 13%
**Curiosidade**
O Rosso Piceno é uma das denominações mais antigas das Marche, criada em 1968, mas as vinhas de Sangiovese e Montepulciano cultivadas ali têm origem muito mais remota — os pícenos, povo pré-romano que dá nome à região, já cultivavam uvas nessas colinas há mais de 2.500 anos. Quando Roma conquistou o Piceno no século III a.C., encontrou uma cultura vinícola já madura, e absorveu as técnicas locais. Cada garrafa é, no fundo, resultado de dois milênios de tradição sem interrupção — sem grande marketing, sem holofote, só gente que sempre soube fazer vinho pra tomar em casa.
Harmonizações e notas
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🍷 HARMONIZAÇÕES THE SIMPLE SHOP × RADAR DO VINHO.
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Vincisgrassi (lasanha típica das Marche) com ragu de miúdos e cogumelos
Casamento regional de manual. O vincisgrassi é o prato mais emblemático das Marche — uma lasanha rica com ragu de miúdos, cogumelos e trufa — e pede exatamente o Rosso Piceno na mesa. A gordura do prato pede a acidez do Sangiovese pra limpar, o ragu profundo dialoga com a fruta madura do Montepulciano, e cada garfada parece um pequeno passeio pelas colinas de Ancona. Italianidade em estado puro.
Coelho à cacciatora com azeitonas pretas e alecrim
Prato italiano tradicional que combina como poucos. A carne de coelho, delicada mas saborosa, encontra no Rosso Piceno um parceiro sem exageros — os taninos macios respeitam a carne, as azeitonas pretas conversam com o fundo especiado do vinho, e o alecrim ecoa as notas herbáceas do blend. Almoço de fim de semana com alma toscana.
Massa ao sugo com almôndegas caseiras
Simples e perfeito. A acidez do molho de tomate encontra igual no vinho, as almôndegas de carne pedem taninos maduros pra equilibrar, e o queijo ralado por cima amarra tudo com aquele carinho italiano. Domingo à mesa vira reunião de família mesmo quando só tem duas pessoas.
Pizza margherita bem-feita com muçarela de búfala
Sério, é encontro perfeito. Tomate maduro, muçarela derretida, manjericão fresco, azeite bom — e o Rosso Piceno na taça. A acidez do tomate abraça o vinho, o queijo pede o corte fresco do Sangiovese, e o preço da garrafa deixa você abrir sem pensar duas vezes. Noite de pizza vira noite italiana completa.
No fim, o Rosso Piceno Santa Stefano é sobre isso: aquele italiano honesto, saboroso e sem pose que faz a mesa ganhar alma. Serve numa taça generosa, deixa respirar uns dez minutos, e presta atenção — porque ele conta a história de uma região que faz vinho há mais tempo do que a maioria de nós consegue imaginar. 🍷🇮🇹