Sobre este vinho
O Masi Campofiorin é aquele vinho que engana bonito. Sabe quando você quer um tinto italiano com alma de Amarone, mas sem pagar preço de Amarone nem esperar ocasião pra abrir? É exatamente esse o papel dele — e ele cumpre com uma elegância que faz muita gente experimentar e não largar mais.
Vindo do Veneto, no nordeste da Itália, é feito com o blend clássico da Valpolicella — Corvina, Rondinella e Molinara — mas passa por uma técnica que revolucionou o mundo do vinho quando a Masi criou nos anos 1960: o *ripasso*. Depois que o Amarone termina sua fermentação lenta, o Campofiorin (que começou como um Valpolicella comum) é *repassado* por cima das cascas ainda ricas do Amarone, ganhando uma segunda fermentação, mais corpo, mais álcool, mais complexidade. Vira quase um irmão mais leve — carinhosamente chamado de "baby Amarone". Na taça, aparece com um vermelho-rubi profundo, quase granada nas bordas. No nariz, é generoso: cereja madura em compota, ameixa preta, um toque de chocolate, canela, tabaco doce e um fundo de fruta seca que denuncia o parentesco. Na boca, corpo médio-encorpado, taninos aveludados, acidez que sustenta, e um final longo que se demora com notas de figo e especiaria.
É o tipo de vinho que valoriza o jantar sem precisar de festa.
**Teor alcoólico:** 13%
**Curiosidade**
O Masi Campofiorin não é só um vinho — é uma categoria inteira. Quando Sandro Boscaini criou a técnica do ripasso em 1964, a Valpolicella tradicional era vista como um tinto leve, quase de mesa, sem grande destaque. O ripasso mudou tudo: aproveitava as cascas nobres do Amarone (que iriam pro lixo) e transformava um vinho comum em algo com profundidade e caráter. A ideia foi tão bem-sucedida que hoje o "Valpolicella Ripasso" virou uma denominação oficial DOC — mas o Campofiorin, como pioneiro, prefere manter só o nome próprio. É literalmente o vinho que inventou uma categoria.
Harmonizações e notas
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🍷 HARMONIZAÇÕES THE SIMPLE SHOP × RADAR DO VINHO.
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Ossobuco à milanesa com risoto alla milanese
Casamento italiano de manual. O ossobuco cozido lentamente até desmanchar tem gordura e profundidade que o Campofiorin devolve com taninos maduros e corpo. O risoto de açafrão amarra tudo com cremosidade e ganha do vinho o corte necessário. É prato de domingo elevado a categoria de reencontro.
Cordeiro assado com crosta de ervas e batata rústica
A força do cordeiro pede um tinto com estrutura, e o Campofiorin entrega sem parecer pesado. As notas de fruta em compota do vinho conversam com a carne rosada, as ervas trazem frescor pro conjunto, e a batata rústica dá o conforto que arremata. Cada mordida se prolonga na taça — e a taça no coração.
Lasanha à bolonhesa com massa fresca
Prato de domingo que ganha vida nova com essa garrafa. A gordura da carne e do queijo derretido pede taninos maduros pra equilibrar, o molho de tomate ecoa a fruta vermelha do vinho, e a massa fresca segura tudo com aquele carinho italiano. É almoço em família que vira memória boa.
Tábua de frios com salame, presunto cru e queijos duros
Fim de tarde sem esforço. Um salame gorduroso, presunto cru salgadinho, pedaços de parmesão e pecorino, pão rústico — e o Campofiorin faz o resto. Os taninos limpam o paladar, a fruta madura dialoga com os embutidos, e a conversa fica melhor a cada gole. Kit italiano completo pra dividir.
No fim, o Masi Campofiorin é sobre isso: um vinho que traz um pedaço do Amarone pra dentro da rotina, sem exigir ocasião especial. Serve numa taça generosa, deixa respirar uns 15 minutos, e presta atenção — porque ele tem história pra contar. 🍷🇮🇹